| Lixeiros ameaçam greve |
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| Cotidiano | |||
Um caos na coleta de lixo ronda Estocolmo. Depois de vários anos de protesto contra pioras nas condições de emprego o risco de greve é eminente. "Há um limite para o que nós suportamos e ele foi atingido", diz Berra Ramhquist.A irritação de Berra é clara. Ele acaba de carregar nas costas dois sacos de lixo cheios por um longo e apertado corretor num prédio em Telluborgsvägen em Midsommarkransen na regão central de Estocolmo. São apenas sete e meia da manhã mas ele já está trabalhando há uma hora e meia. "Antigamente as pessoas comiam batatas cozidas na segunda-feira, batatas assadas na terça-feira, purê de batatas na quarta-feira e panqueca na quinta-feira. Sexta-feira era o dia do bife e depois disso a despensa estava vazia. Hoje em dia as pessoas fazem compras por mês, fazem hora-extra e não conseguem comer toda a comida que compram. Eu juro, a quantidade de lixo aumentou muito, acredite, eu estou nesse emprego há 27 anos", conta. Do outro lado da rua, Peder Murell puxa uma pilha de seis sacos de lixo pesando entre 250 e 300 quilos de lixo com um cheiro azedo, um liquido indefinido vaza dos sacos e Peder diz um palavrão quando um dos sacos se rasga e o conteúdo cai na calçada. "Podia ser pior, chuva ou montes de neve na calçada", complementa. Berra Ramhquist e Peder Murell são dois dos 150 lixeiros de Estocolmo que podem entrar em greve a qualquer momento. Nos dois últimos anos, eles tem protestado contra o município de Estocolmo que contratou empresas de limpeza pública que, de acordo com o sindicato, fazem tudo o que podem para piorar as condições de trabalho e salários dos trabalhadores da limpeza urbana.Atualmente há uma briga de posicionamentos - em pricípio iniciada pela empresa de limpeza urbana Liselotte Lööf AB, LLAB, que venceu a concorrência na área onde Berra e Peder trabalham. A partir de 1o de abril a LLAB deve baratear os custos em 1,3 milhões de coroas por ano. Lixeiros, que sabem em quais fechaduras centenas de chaves entram e onde estão localizados milhares de conteiners de lixo, constituem uma mão de obra importante. Entretanto, Berra e Peder se recusam a trabalhar para a LLAB. A questão principal é uma lista de 20 pontos que está no acordo coletivo de emprego que protege os lixeiros ha 20 anos. Quanto mais lixo, maior o pagamento. Esse acordo dá a possibilidade de salários que podem chegar a 29-30 mil coroas por mês por um trabalho pesado e mal-cheiroso. "Eu não tenho olfato, então para mim o cheiro não é problema", diz Berra. Os prédios são antigos, os depósitos de lixo pequenos. Comprimir o lixo, tornando-o extremamente pesado, é proibido mas ainda acontece em vários prédios. Além disso, carregar um saco de lixo de cada vez é impossível, Berra e Peder "nunca" terminariam o serviço dessa forma. Eles acham que trabalhar das 5 da manhã às 3 da tarde é suficiente. Mas o trabalho deles é livre e eles gostam disso, mesmo que seja um trabalho difícil. Alguns dias eles conseguem terminar o trabalho mais cedo, mas o mito dos lixeiros que trabalham duas horas por dia e ganham muito dinheiro não existe. "O pior de tudo é que quem decide não entende. A concorrência funciona até certo ponto. Agora os trabalhadores se tornaram um bem, sem que ninguém entenda o quanto nós trabalhoamos. Nós estamos preparados para lutar por nossos direitos", conta Berra que pode ter seu salário reduzido em 20 ou 30% ao mesmo tempo que terá que trabalhar mais, caso assine o contrato com a nova empresa. Depois de trabalhar metade do dia, Peder e Berra depositam pouco mais de dez toneladas de lixo na unidade de incineração em Högdalen. Os dois lixeiros recolheram dez toneladas de lixo em quatro horas. Berra balança a cabeça e comenta: "Consequências de uma greve? Isso talvez você possa concluir sozinha".
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| Qua, 04 de Fevereiro de 2009 10:37 |
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